Nada


Resolvi falar sobre nada. Nada, nada mesmo. Talves porque eu sinta um vazio dentro de mim, ou porque no momento minha mente seja um completo vácuo.

Nada é isso, nada. Tão complicado quanto o zero, o número. Hoje, parece fácil compreedê-lo, mas tente explicar o número zero para algum europeu antes do século XV. Porque o zero é o nada, léxicamente falando. Nada é isso, na verdade nada não é, ou é nada. O nada pode ser pronome indefinido, adjetivo ou substantivo masculino. Como ele pode ser tudo isso e ser nada ao mesmo tempo? Nossa língua portuguesa tem essa mania.

Filosofando sobre nada. O nada não é coisa alguma, logo não existe. Porque, por definição, quando se fala de existência se fala da existência de algo. O nada é uma representação linguística do que se pensa ser a ausência de tudo. O que existe são representações mentais do nada. Como pode existir se é nada?

Definição ou conceito é uma afirmação sobre alguma coisa, portanto o nada não é positivamente definido, mas apenas representado, fazendo-se a relação entre seu símbolo (a palavra “nada”) e a idéia que se tem da não-existência de coisa alguma. O “nada” não existe, mas é concebido por operações de mente. Esta é a concepção de Henri Bergson, oposta à de Hegel, modernamente reabilitada por Martin Heidegger e Sartre, de que o nada seria uma entidade de existência real, em oposição ao ser.

No pensamento indiando, mais especificamente para a Yoga, o nada é o que se quer atingir. Livrando a mente de todos os pensamentos até atingir o nada. O Nirvana é o nada? Porque para atingir o Nirvana é necessário não pensar em nada, quando chegamos lá, o Nirvana é alguma coisa ou não? Não posso responder a essas perguntas, mas ficar sem pensar em nada é muito difícil.

Na Matemática, o nada seria o conjunto vazio. Como na Matemática tudo que é puro é mais complicado. Esse conjunto que não possui elementos, mas é um elemento do conjunto dos subconjuntos de um conjunto. Sendo assim o “nada” seria um dos elementos do “tudo”.

Já falei de nada na Língua Portuguesa, na Filosofia, na Metafísica e na Matemática. Agora, fisicamente é preciso distinguir três coisas: o nada, o vácuo e o vazio. Não, não são a mesma coisa.

Começando pelo vácuo que nada mais é do que a ausência de matéria (como moléculas e átomos) em um volume de espaço ou energia. Mas pode conter campo elétrico, campo magnético, campo gravitacional, luz, ondas de rádio, raios X, ou outros tipos de radiação bem como outros campos e a denominada energia escura. O vácuo possui energia e suas flutuações quânticas podem dar origem à produção de pares de partícula e anti-partícula. Em resumo, isso não é nada, é quase nada.

E o vazio? O que é o vazio? Seria um espaço em que não houvesse nem matéria, nem campo e nem radiação. Mas no vazio haveria ainda o espaço, isto é, a capacidade de caber algo, sem que houvesse. No Universo não existe vazio, pois todo o espaço, mesmo que não contenha matéria, é preenchido por campo gravitacional, outros campos e pela radiação que o atravessa, de qualquer espécie. Novamente isso não é nada.

O nada é tudo isso que foi escrito, ou melhor, é ausência de tudo também doespaço, isto é, não há coisa alguma e nem um lugar vazio para caber algo. O conceito de nada inclui também a inexistência das leis físicas que alguma coisa existente obedeceria, dentre elas a conservação da energia, o aumento da entropia e a própria passagem do tempo. Sendo o espaço o conjunto dos lugares, isto é, das possibilidades de localização, sua inexistência implica na impossibilidade de conter qualquer coisa. Isto é, não se pode estar no nada. O nada é, pois, um não-lugar.

Lembra da teoria do Big Bang, agora ela ganhou uma versão 2.0 que diz que existe a possibilidade do Big Bang ter resultado de um Big Crush e que, em breve, iremos caminha para lá. O Universo existiria antes do nosso, mas pode ter sofrido uma implosão catastrófica que chegou a um ponto de densidade máxima e então reverteu. Em resumo, uma enorme  compressão em uma grande oscilação, daí o Big Bang.

Mas de acordo com o modelo padrão da Cosmologia, o Universo surgiu de uma singularidade primordial que, no instante zero, iniciou sua expansão, gerando tudo o que existe, inclusive o tempo e o espaço. Isso era o nada. Então na versão 2.0 que veio para corrigir alguns problemas da teoria da relatividade, o nada nunca existiu.

Seria interessante discutir sobre essa nova versão 2.0,  seria a teoria da gravidade quântica que preve um Universo sem fim, eterno. Nesse caso, o Big Bang seria apenas a explosão mais recente de um Cosmos que se expande e contrai indefinidademente. Opa, isso não tem nada haver com o que eu estava falando, então fica para um próximo texto.

Para finalizar apenas duas coisas. Primeiro, eu juro que tentei encontrar uma foto do nada para colocar aqui, mas não encontrei. E segundo, para falar de nada até que eu falei muito. O nada está em tudo, o nada faz parte de tudo.

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2 Respostas para “Nada

  1. O nada é relativo. Existe o nada de matéria, não de energia. A energia sempre existiu, no nosso universo e fora dele. A energia é infinita e está se transformando em matéria a todo instante. Isto justificaria a massa do universo e seu equilíbrio térmico. No nada de matéria não existe a gravidade. A gravidade passa a existir, com o surgimento da matéria (matéria atrai matéria). Uma vez que surgiu a matéria pela primeira vez, deixou de existir o nada, como conhecemos. O nada de energia nunca existiu, pois a energia sempre existiu.

  2. Concordo que o nada seja relativo, e que não exista o nada na energia dentro do nosso universo. Mas se existirem outros universos, segundo a teoria de multi universos, então existe a possibilidade matemática de um universo sem energia. Portanto, pelo menos ali teremos o nada energético.

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